Abas

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O Sabor da Vingança é...


A história que vou lhes contar é verdadeira e apesar de ser um tanto triste, é mais comum do que se pensa.

E não há lugar mais propenso a análises de comportamento humano que um prédio de apartamentos.

Entre meus vizinhos havia dois que, socialmente eram como água e vinho: à esquerda um casal de poucos recursos que procuravam, quase inutilmente, achegar-se aos vizinhos para estabelecer uma amizade. 

Compreender porque as pessoas se fecham tão obstinadamente a novas amizades é algo que nunca compreendi, porque num edifício, lar coletivo de muitas pessoas, a amizade franca deveria ser conduta padrão; à minha direita, compunha-se de uma dupla de esnobes, dessa espécie que olha os outros de cima para baixo. 

Nem é preciso dizer que entre essas duas vizinhas, criou-se uma antipatia (ou coisa pior) perigosa.
Para facilitar, chamá-las-ei de "rica" e "pobre".

Recordo-me que quando por acaso, se encontravam, os olhares de ambas lançavam faíscas de alta tensão que revelava o quando se detestavam: uma por por considerar-se pobre, tal a carência de adereços; outra, superior, por desfrutar de uma situação financeira melhor, além de ser provida de um farto estojo de maquilagem.

Assim conviviam estas duas infelizes criaturas, até que a rica engravidou.

Grávida, exibia-se pelo prédio, afirmando que esta criança seria do sexo masculino e com certeza, "um gênio como o avô".

Chegando o tempo do parto, deu à luz uma menina. A seguir, desapareceu do prédio sem que ninguém soubesse o que havia acontecido. Mesmo em se tratando de pessoa que anda de "nariz pra cima", criou-se um clima de expectativa.

Dias depois, soubemos que passara este tempo na casa dos pais. Ao voltar todos estranharam que o retorno se dera quase em segredo.

A maneira como construímos nossa sociedade nos deixa inquietos, enquanto não metemos o nariz na vida alheia, não para ajudar -  como no presente caso - mas para descobrir o que houvera com o parto da rica..

E quem desvendou o mistério? Exatamente. foi a pobre. E sabem o uso que fez com a descoberta? Contou para todos, alegre e feliz, porque a criança da rica metida nascera com um defeito congênito, afetando a mobilidade dos membros inferiores.

Para a pobre, vítima de um ódio inexplicável  contra a vizinha , que em rigor nenhum mal lhe infrigira, este era o castigo divino contra a petulância  da rica: Deus se vingara desse comportamento, castigando a recém-nascida.

Diante desse quadro necessita-se de fôlego para continuar a narrativa.

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Como pode uma pessoa apenas por imaginar-se inferior à outra, alegrar-se com a infelicidade alheia? E o que é pior: imputar a Deus - que não castiga ninguém - tamanha monstruosidade?

Eis leitores em que ponto sombrio de nossa caminhada espiritual ainda nos encontramos,

O desencanto dos demais moradores diante da alegria insana da pobre fez com que ela se mudasse para levar sua vingança a outros rincões e colher, dia mais, dia menos, os frutos amargos de sua conduta.

Enquanto não aprendermos como uma  criatura humana deve se comportar junto a seu semelhante, as colheitas serão sempre geradoras de sofrimento; e nunca, nunca mesmo, envolver, ou culpar a Deus por nossa conduta.



....AMARGO!


(Texto reproduzido com autorização do autor Luiz Santantonio. Muito obrigada, sr. Luiz!)


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