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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Entrevista com Ancila Rodrigues (03/04/2018)


                                Ancila Escolástica Rodrigues, completa 79 anos dia 01 de julho.

    Trabalhadora incansável do movimento Espírita, para ela não há desânimo, tem como lema: “Quem persevera, vence”. Está pronta para exercer qualquer tarefa que lhe é proposta, entre as atividades exercidas: Diretora de Doutrina, coordenadora de estudos, reuniões públicas e a mais constante função é a dos bazares, onde está à frente desde o início da Fraternidade Irmã Dolores. A D. Ancila agradecemos pelo compromisso e dedicação em prol da Nossa Casa.

     1)      FID – Quem é D. Ancila? Conte-nos sobre sua vida, família, trabalho...

    Nasci em São Paulo, venho de família católica, mas não convicta, minha mãe era médium, não sabia ler nem escrever, nunca estudou, mas tinha mediunidade, ajudou muitas pessoas e desde pequena eu a via trabalhar. Aos treze anos comecei a costurar e consegui me formar em Corte e Costura mais tarde, trabalhei uns vinte anos para fora. Casei-me aos dezenove anos e fiquei viúva após convivência de trinta e nove anos, tive quatro filhos: Marta, Adriana, Oscar e Mauro. Alguns foram mais atuantes na doutrina como a Marta que está desde pequena, foi até Evangelizadora, os demais acreditam , têm fé no Espiritismo, fazem o Evangelho e têm conhecimento da Doutrina. Cada um tem seu modo de ser, nunca obriguei ninguém a nada, somente quando eram crianças levava-os a Evangelização com o Juca. 

    2)      FID – Quando e como conheceu a Doutrina Espírita?



    Eu sempre tive minha mãe como modelo, ela tinha mediunidade e foi me guiando, me amparando e me socorrendo desde menina. A mediunidade fez parte da minha vida através da minha mãe, ela trabalhava em casa junto com minha tia e com meu pai como dirigente. Meu pai era simpatizante do esoterismo, lia livros, era Espiritualista, honesto, sincero. Trabalhavam os três juntos. Pessoas conhecidas e familiares vinham em busca de orações, bênçãos e conforto. Não havia estudo e não havia entendimento direito, isso gerou um mal estar, quando certa vez a tia recebeu um Espírito e este fez uma brincadeira, meu pai chamou atenção do Espírito e a tia chorou achando que a repreensão era para ela, desde este incidente meu pai deixou de ser dirigente. Conheci outro Centro quando namorava, ficava no Alto do Ipiranga, lá havia passes, faziam o Evangelho, passavam um pouco de ensinamento, fiquei muitos anos nesta Casa.

     3)      FID – Conte-nos como iniciou os bazares na Fid, as dificuldades e as conquistas.

    Sempre houve bazares, no início da Fid eram em outro lugar, a nossa companheira Lúcia junto com D. Iraci foram às precursoras desta atividade e eu comecei a participar fazendo panos de prato, costurava roupas e, etc. desde 1971. Passaram pelos bazares muitas colaboradoras, algumas tiveram grande atuação como a D. Encarnação, D. Angelina e D. Otília (todas já estão no plano espiritual), elas contribuíram demais com seus artesanatos, faziam peças de crochê, bordavam sempre com muito carinho e capricho. Nunca parei de cooperar, de contribuir. Mudamos de local e eu fiquei a frente, independente das “crises econômicas”. Atualmente, contamos com a valiosa contribuição de Lêda, Elenice, Magali, D. Nena e D. Maria dos Reis entre outros. Temos que perseverar sempre.



    4)      FID – Considera as atividades espíritas importantes no desenvolvimento do ser humano?

    Sim, estou na Fid há tanto tempo, não quero que esta Casa feche suas portas porque fui muito ajudada e tive o entendimento do que é o Espiritismo graças ao Sr. Antônio Leite.   No início da Fraternidade o Sr. Antônio realizava palestras, o Juca e Sander também participavam desta atividade. Estudamos as obras básicas a começar pelo “Livro dos Espíritos”, o qual estudamos por quatro anos questão por questão. Pude compreender algumas questões da minha vida, dizia a mim mesma: “Por que não conheci este Livro há mais tempo?”. Mas, chega tudo ao seu tempo e de lá pra cá nunca parei de estudar e entender a Doutrina. Quando tomava passe com minha mãe o Espírito comunicante perguntava se queria alguma coisa e eu não falava nada, não pedia nada e a Espiritualidade dizia “Persevera, quem persevera , vence” e esta frase passou a ser meu lema. Minha mãe era perseverante, todos os dias às 6 horas da manhã, estava sempre em sua mesa com os papéis das pessoas que pediam preces e orações. Eu ficava como assistente, e ela conseguia doutrinar os Espíritos, se comunicar com eles, tinha o entendimento. Acredito que toda essa faculdade não é só desta encarnação, fatos aconteciam para provar a minha mãe que realmente a reencarnação existe, mesmo ela não sabendo ler nem escrever.





            5)      FID – Suas considerações finais


        Temos que trabalha em benefício do próximo, fazendo a divulgação da Doutrina Espírita porque o mais importante é conhecê-la, como Emmanuel nos fala: A maior caridade que você pode fazer para a Doutrina Espírita é ensinar a Doutrina Espírita. Cada vez mais se fala sobre o Espiritismo através da Mídia, nas novelas e nos filmes, hoje é mais fácil   porque não há tanto preconceito como antes. Podemos aproveitar este momento para propagar mais a Doutrina. Não há o que temer quando procuramos praticar o que está no Evangelho deixado por Jesus e por toda a codificação de Allan Kardec.